Nem os superesportivos escaparam da Takata. A Ferrari tem 5 recalls de airbags Takata registrados na NHTSA, que afetam o Ferrari California 2009-2011 e o 458 Italia 2010-2011. Todos pertencem à campanha 20V007000, iniciada em janeiro de 2020, por infladores do passageiro non-desiccated — sem agente dessecante — que podem estourar e projetar fragmentos metálicos contra os ocupantes.
Os modelos Ferrari afetados
A campanha 20V007000 atinge exatamente cinco combinações modelo-ano na gama Ferrari, todas com o inflador frontal do passageiro como componente defeituoso:
- Ferrari California 2009 — primeiro ano do modelo, a primeira Ferrari de produção com teto retrátil rígido de alumínio.
- Ferrari California 2010 — segundo ano de produção.
- Ferrari California 2011 — terceiro ano da primeira geração.
- Ferrari 458 Italia 2010 — sucessora da F430, com motor V8 4.5L aspirado.
- Ferrari 458 Italia 2011 — segundo ano de produção da berlinetta italiana.
Campanha 20V007000 — infladores sem dessecante em motores de alta performance
A Ferrari North America notificou a NHTSA de que esses veículos estão equipados com infladores frontais do airbag do passageiro non-desiccated: isto é, sem o agente químico que absorve a umidade ambiente dentro do inflador. Sem dessecante, o propelente de nitrato de amônio se degrada com os anos, os ciclos térmicos e a umidade.
A consequência que a NHTSA documenta é direta: ao acionar o airbag, o inflador pode explodir e projetar fragmentos metálicos cortantes contra o motorista ou outros ocupantes, com risco de lesões graves ou morte. É o mesmo mecanismo de falha que afetou mais de 100 milhões de veículos no mundo todo no caso Takata.
Por que a Ferrari usou peças Takata?
Embora pareça contraintuitivo em uma marca associada ao luxo e à engenharia de competição, a Ferrari não fabrica seus próprios sistemas de retenção. A Takata era fornecedora global de primeira linha para praticamente toda a indústria automotiva: de utilitários populares a superesportivos de seis dígitos compartilhavam o mesmo inflador.
A lógica da cadeia de suprimentos automotiva é transversal aos segmentos: quando um fornecedor domina uma categoria — como a Takata dominava os infladores de airbag entre os anos 2000 e meados de 2010 — suas peças acabam em marcas tão distintas quanto Honda, BMW, Mercedes-Benz, Audi e, sim, Ferrari. O defeito no propelente afetou a todos por igual, independentemente do preço do veículo.
Como verificar se sua Ferrari tem este recall
Há três caminhos complementares para confirmar:
- Consulta por VIN na vinfo.la — devolve todos os recalls ativos associados ao chassi específico.
- Recalls Ferrari California e recalls Ferrari 458 Italia — histórico completo por modelo e ano.
- nhtsa.gov — base oficial dos EUA, busca por VIN ou pelo número de campanha 20V007000.
O reparo é gratuito mesmo na Ferrari
A obrigação legal dos recalls de segurança não distingue marcas: a substituição do inflador defeituoso é totalmente gratuita para o proprietário, independentemente da idade do veículo ou se foi comprado novo ou usado. O reparo deve ser feito em concessionária Ferrari oficial.
No mercado de usados de alto padrão — onde uma Ferrari California 2009-2011 e uma 458 Italia 2010-2011 mantêm valores de referência significativos — verificar o status do recall antes de comprar é especialmente relevante. Um inflador não substituído é um risco concreto de segurança e, além disso, um ponto fraco de negociação diante do vendedor.
A Ferrari tem um histórico de recalls relativamente enxuto em comparação com fabricantes de volume. Por isso, esses cinco recalls Takata pesam no conjunto: são a marca que o escândalo Takata deixou até em Maranello.